28 de setembro de 2009

Bingos, estacionamentos e igrejas

Inácio Araújo nos lembrou no seu blog sobre cinema que, 'no passado, as salas de cinema viraram igrejas evangélicas, estacionamentos e bingos'. Segundo Inácio, 'os três signficavam o oposto do cinema como expressão de liberdade e de crescimento espiritual' e, dos três, 'o que mais me agredia era o bingo, pelo poder de corrupção, de sujeira, de contágio doentio que traz consigo'.

Está certo ele. O que mais agride um cidadão razoavelmente de bem, se é que existe algum, é a instituição que tem poder de corrupção, sujeira e contágio doentio. Nessa história estacionamentos podem ser considerados solo santo. Entre igrejas e bingos, no entando, a briga está feia. Mas no quesito contágio doentio não se pode negar que as igrejas estão em situação insuperável. O crescimento evangélico não nos permite desmentir. O nível de contágio é muito maior do que o da gripe A.

Mas enquanto igrejas são inevitáveis a curto prazo, bingos, que foram merecidamente banidos, ameaçam ressurgir com toda sua impressionante capacidade de potencializar o crime organizado com lavagem fácil de dinheiro. O lobby da indústria do bingo já está dando uma surra no bom senso. A aprovação da volta dos bingos pela Comissão de Justiça e Constituição da Câmara por 40 votos contra 7 deixa claro.

Araújo continua: 'É impressionante como coisas destrutivas (porém lucrativas) lutam para impor tudo que é indecente com argumentos mais indecentes ainda, que não convém nem repetir de tão imorais. E outra: ninguém precisa das ultrajantes esmolas que eles propõem distribuir aqui e ali' (se aqui ele se refere a bingos ou igrejas você decide).

Se cinemas um dia tornaram-se igrejas, que igrejas agora se tornem salas de cinema, leitura, espetáculos e arte. Que abram suas portas às comunidades e ofereçam cultura, educação e entretenimento à população. Que deixem de variar entre o alienante (e nauseante) circo de horrores religioso e a irrelevência de prédios fantasmas, fechados a semana inteira, abrindo unicamente para as liturgias dominicais, e possam contribuir para a qulaidade de vida da população.

Bingos, não, conclui Inácio Araújo.
Igrejas, do jeito que estão, também não, concluo eu.

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Mais sobre a volta dos bingos aqui.

Um comentário:

  1. Certa vez sugeri ao meu pai, pastor presbiteriano, que sua congregação, quando ergue-se um prédio, construísse uma quadra poliesportiva coberta, na qual se distribuiriam cadeiras para os cultos. O restante do tempo, a comunidade o usaria para praticar esportes, atividades culturais, etc. Ele foi voto vencido no Conselho. A idéia de cinema é mais viável em termos estruturais. Gostei. Talvez até voltasse a frequentar igrejas. Para ver filmes, claro!

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