4 de maio de 2009

Esperança de quem?

2008 foi o ano da colheita. O programa Minha Esperança Brasil alcançou em todo país mais de 340 mil almas. Mobilizou o incrível número de 53 mil igrejas. Festa evangélica. Fileiras engrossadas. Relatórios fartos, prodigiosos e vencedores. 3 horas de televisão no horário nobre. Folders, cartazes, divulgação pesada, treinamento. Investimento alto. Mobilização maciça.

"Durante dois anos todo o país foi mobilizado para aceitar este desafio, que se tornou o maior esforço evangelístico de todos os tempos." [link]

Enquanto isso, organizações como a Visão Mundial e a ATINI (e muitas outras) oferecem programas de apadrinhamento de crianças em situção de risco (e muitos outros). Onde está a esperança delas? Sumiu. Foi desviada, redirecionada. Canalizada para aquilo que, na contabilidade gospel, realmente importa. Almas. Membros.

Crianças subnutridas morrendo de fome? Infanticídio indígena? Bobagem. Vamos celebrar a mobilização de 53 mil igrejas e sabe-se lá quantos mil reais pela conquista de 340 mil almas que se transformaram em membros, engordaram nossas fileiras evangélicas e irão constar na próxima pesquisa apresentada pela Veja. Queremos nos orgulhar das estatísticas. As crianças que se virem. A gente levanta uma ofertinha pra elas num final de semana qualquer.

No fim, sabemos que nenhuma ONG cristã teria condições de investir o volume de dinheiro que foi investido nessa campanha de almas. Não averia adesão. Quantas igrejas iriam se envolver num programa para alimentar crianças? Que bobagem mais mundana.

Almas! É disso que nos alimentamos. Aliás. Desde que se tornem membros.

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Em tempo: Sei que houve muita boa vontade por parte de muita gente bem-intencionada no Programa. Nada tenho contra pessoa nenhuma que se envolveu no projeto. O que me incomoda mesmo é a idéia por trás dele. Mesmo sabendo das boas intenções aqui e ali, não consigo ver nisso nada mais do que um tiro muito longe do alvo e que acaba dando a falsa mas muito agradável ilusão de sucesso.

5 comentários:

  1. Pra mim, o problema nem é o esforço e volume de recursos usados neste tipo de atividade, digamos, equivocada. É o orgulho advindo dela, a falsa impressão que fizemos mais do que nossa simples obrigação, e que a fizemos mal.
    O orgulho, maldito orgulho...

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  2. Já ouviu essa musiquinha?

    "Almas, células!
    Almas, células!
    Nós temos que pensar
    o que pensa o Senhor!
    O que Ele pensa?
    Almas, células,
    Almas, células..."

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  3. É, concordo com os comentários acima e adiciono. "Se levantou a mão está salvo!!!"

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  4. Lembro da musiquinha sim. É terrível! Mas muito engraçada :-) - apesar de muito triste.

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  5. Putz manow ... eu não tive coragem de ir numa reuniaum dessa pra fazer o lance da "esperança" ... matutei ... matutei e naum fui ... Graças a Deus ... Parabens pelo texto ... eh isso aew !!!

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