"Estou sozinho, sem saída, sem dinheiro e sem comida e feliz da vida!"
Quem é que acredita numa coisa dessas? Aprendemos desde muito cedo que o mundo é de quem produz, de quem tem, possui, junta, acumula, mostra, ostenta.
"Não sei o que foi que eu fiz pra merecer estar radiante de felicidade. Mais fácil ver o que não fiz. Fiz muito pouco aqui pra minha idade. Não me dediquei a nada, tudo eu fiz pela metade, porque então tanta felicidade?"
O mundo é de quem merece, de quem trabalha pesado, de quem honra seu nome, sobrenome, fé e sei lá mais o que. Os louros são entregues ao vencedor e tão somente a ele. "Faça por merecer" sussurra o capitão John Miller na orelha do soldado Ryan. É só por onde sabemos caminhar - pela via do merecimento. Dá licença.
"Enfim, eu já tentei de tudo, enfim eu quis ser conseqüente, mas desisti, vou ser feliz pra sempre. Peço a todos com licença, vamos liberar o pedaço. Felicidade assim desse tamanho só com muito espaço!"
Não deixe de clicar no play.
Definitivamente, Luiz Tatit merece ser ouvido.
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Felicidade
Luiz Tatit
Não sei porque eu tô tão feliz
Não há motivo algum pra ter tanta felicidade
Não sei o que que foi que eu fiz
Se eu fui perdendo o senso de realidade
Um sentimento indefinido
Foi me tomando ao cair da tarde
Infelizmente era felicidade
Claro que é muito gostoso
Claro que eu não acredito
Felicidade assim sem mais nem menos é muito esquisito
Não sei porque eu tô tão feliz
Preciso refletir um pouco e sair do barato
Não posso continuar assim feliz
Como se fosse um sentimento inato
Sem ter o menor motivo
Sem uma razão de fato
Ser feliz assim é meio chato
E as coisas nem vão muito bem
Perdi o dinheiro que eu tinha guardado
E pra completar depois disso
Eu fui despedido e estou desempregado
Amor que sempre foi meu forte
Não tenho tido muita sorte
Estou sozinho, sem saída, sem dinheiro e sem comida
E feliz da vida!!!
Não sei porque eu tô tão feliz
Vai ver que é pra esconder no fundo uma infelicidade
Pensei que fosse por aí, fiz todas terapias que tem na cidade
A conclusão veio depressa sem nenhuma novidade
O meu problema era felicidade
Não fiquei desesperado, não, fui até bem razoável
Felicidade quando é no começo ainda é controlável
Não sei o que foi que eu fiz
Pra merecer estar radiante de felicidade
Mais fácil ver o que não fiz
Fiz muito pouco aqui pra minha idade
Não me dediquei a nada
Tudo eu fiz pela metade, porque então tanta felicidade
E dizem que eu só penso em mim, que sou muito centrado
Que eu sou egoísta
Tem gente que põe meus defeitos em ordem alfabética
E faz uma lista
Por isso não se justifica tanto privilégio de felicidade
Independente dos deslizes dentre todos os felizes
Sou o mais feliz
Não sei porque eu tô tão feliz
E já nem sei se é necessário ter um bom motivo
A busca de uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo
Enfim, eu já tentei de tudo, enfim eu quis ser conseqüente
Mas desisti, vou ser feliz pra sempre
Peço a todos com licença, vamos liberar o pedaço
Felicidade assim desse tamanho
Só com muito espaço!
Moonwalk
Domingo, 28 de junho de 2009. Duas crianças conversam nos corredores do templo, antes de entrar na sua sala.
- Você viu que o Michael Jackson morreu?
- Vi. Mas ele não foi pro céu!
O pequeno e inocente coração já apresenta sinais de contaminação religiosa do famoso vírus 'travenolho', cujo nome científico é 'dedusenristes farisaicus'. A lógica é simples. Ao condenar o outro, sou redimido por não ser como ele. Lembra uma história que Jesus contou.
Enquanto uns botam o cara no inferno, o Rubinho descobre nele sinais do céu.
Ah, Rubinho. Meu coração pede também. Se um dia eu chegar lá, entre as núvens e os anjos, diante do grande e festivo banquete, quero andar na lua com Michel Jackson.
- Você viu que o Michael Jackson morreu?
- Vi. Mas ele não foi pro céu!
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O pequeno e inocente coração já apresenta sinais de contaminação religiosa do famoso vírus 'travenolho', cujo nome científico é 'dedusenristes farisaicus'. A lógica é simples. Ao condenar o outro, sou redimido por não ser como ele. Lembra uma história que Jesus contou.
Enquanto uns botam o cara no inferno, o Rubinho descobre nele sinais do céu.
Ah, Rubinho. Meu coração pede também. Se um dia eu chegar lá, entre as núvens e os anjos, diante do grande e festivo banquete, quero andar na lua com Michel Jackson.
Pobreza F. C.
Uma das várias formações que o time teve:? | Luis | Juninho | Tato | Salomão | Zeca | ?
? | Fernando | ? | ? | Patrício
Outra formação: De pé o primeiro (esquerda) é o Luis, o terceiro é o Beto.O primeiro agachado da esquerda é grande centro-avante Tato.
Na beira do campo ficava meu avô. O centroavante era meu pai, o Tato. Tio Zeca no meio-campo. Patrício, Fernando, Marcos, Luis, e mais uns tantos completavam o elenco. Venciam 8 de 10 partidas. O saldo de gols a favor era astronômico. Jogavam juntos desde muito antes de eu nascer. Formavam aquilo de mais prodigioso que a raça humana pôde vivenciar nas intrincadas relações sociais que desenvolveu desde que passou a andar sobre duas patas - um grupo de amigos.
Havia, nas manhãs de sábado, algo de religioso, de litúrgico. Até mesmo nas brigas e discussões. Era o homem na sua expressão menos mascarada, menos formal, mais natural, mais transparente e, portanto, mais santa. Não na altivez de sua prepotência, que é na verdade uma forma de mascarar sua fragilidade, mas na intensidade dos seus relacionamentos. Xingamentos, abraços, sorrisos e palavrões. Tudo encerrado com um grande encontro no bar, regado a ovo cozido e Caracu.
Eram homens. Eram gigantes. Eram senhores das manhãs de sábado.
No final do jogo, corríamos em direção ao gol chutando a bola avidamente, aproveitando os últimos instantes entre o fim do jogo e a saída para a Sede. Estávamos no lugar dos mestres. No campo deles. Nas traves onde meu pai fazia tantos gols. Éramos heróis também. Também gigantes nas manhãs de sábado.
Fides
Fui ensinado que ter fé é acreditar do fundo do coração em uma coisa que não se pode ver. Ou melhor, em muitas coisas. Fé, me fizeram crer, é acreditar na cura da rinite alérgica que, obviamente, nunca ocorreu. E da miopia (mas dessa acabei sendo curado pelo raio laser). Também tinha que acreditar que seria inundado de calma em momentos tensos, ou que resistiria bravamente como um grande herói às infindáveis tentações. Estive inúmeras vezes na fila do milagre, na fila do óleo, na esperança de ser finalmente agraciado com vitória sobre algo que me parecesse um mal.
Mas nunca tive essa fé.
Recentemente descobri que fé era outra coisa. Que aquilo que aprendi era crença barata, era ânsia por uma mandinga bem brasileira, era respingo da cultura de magia e mirabolância do nosso país (não que seja exclusivamente nossa).
Comecei a entender que dúvida não era ausência de fé mas, antes disso, era o terreno fértil de onde a fé poderia brotar. Ou a própria semente da fé. Entendi que fé era confiança, como a confiança de meu filho em mim. Em novembro do ano passado, quando toda cidade de Blumenau parecia estar desmoronando como um castelinho de areia, o meu colo, na cabeça do guri, era o lugar mais seguro do mundo. Estava aí exemplo terrível de fé de verdade. Não havia a menor consciência de o que iria acontecer. A chuva vai parar? O rio vai baixar? O barranco atrás de casa vai ficar onde está ou vai desabar como nos vizinhos? Não importa. No colo do pai há segurança e ponto final.
Abandonei a opressão da fé pela crença, que criava tantas mentiras e falsidades, e embarquei na fé pela confiança, infinitamente mais consoladora.
Algo terrível, no entanto, me ocorreu dia desses.
Percebi que também não tenho essa fé.
Mas nunca tive essa fé.
Recentemente descobri que fé era outra coisa. Que aquilo que aprendi era crença barata, era ânsia por uma mandinga bem brasileira, era respingo da cultura de magia e mirabolância do nosso país (não que seja exclusivamente nossa).
Comecei a entender que dúvida não era ausência de fé mas, antes disso, era o terreno fértil de onde a fé poderia brotar. Ou a própria semente da fé. Entendi que fé era confiança, como a confiança de meu filho em mim. Em novembro do ano passado, quando toda cidade de Blumenau parecia estar desmoronando como um castelinho de areia, o meu colo, na cabeça do guri, era o lugar mais seguro do mundo. Estava aí exemplo terrível de fé de verdade. Não havia a menor consciência de o que iria acontecer. A chuva vai parar? O rio vai baixar? O barranco atrás de casa vai ficar onde está ou vai desabar como nos vizinhos? Não importa. No colo do pai há segurança e ponto final.
Abandonei a opressão da fé pela crença, que criava tantas mentiras e falsidades, e embarquei na fé pela confiança, infinitamente mais consoladora.
Algo terrível, no entanto, me ocorreu dia desses.
Percebi que também não tenho essa fé.
Imediatamente o pai do menino exclamou:
“Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!”
Marcos 9.24
“Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!”
Marcos 9.24
Ocasião
Num instante besta, num momento único, numa hora infeliz;
Pisei em falso, caí de cara, quebrei o nariz.
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