20 de fevereiro de 2012
16 de fevereiro de 2012
Em algum lugar
Saí a procura de água. Mas não havia. Houvera, disseram, mas não mais. Secou. Ecoava nas ruas daquela vila a história da água viva. O poço secara, mas água viva havia corrido por aquelas ruas. Entrado nas casas. Bebida a goles longos por todo e qualquer sedento, tornava-se poço interno, artesiano que brotava depois das entranhas e escorria pela boca daqueles que a beberam, fresca, pura, gelada. Saciavam então uns aos outros e a todos que por ali passassem. A secura e aridez da cidade tornara-se um jardim quando do velho poço ainda brotava água. Agora não mais.
O poço secara e a água da vida escondera-se em nostálgicos cantos da memória daquela gente. Era viva, diziam, inesgotável e doce. Mas agora apenas contavam histórias, escreviam poemas, livros e canções em louvor à agua que seus pais beberam. De suas bocas brotava agora apenas o hálito de água parada. Eu era o último peregrino. Conheci a cidade, mas saí de lá sedento. "Secou" eu pensava, "mas há de escoar ainda viva em algum lugar".
O poço secara e a água da vida escondera-se em nostálgicos cantos da memória daquela gente. Era viva, diziam, inesgotável e doce. Mas agora apenas contavam histórias, escreviam poemas, livros e canções em louvor à agua que seus pais beberam. De suas bocas brotava agora apenas o hálito de água parada. Eu era o último peregrino. Conheci a cidade, mas saí de lá sedento. "Secou" eu pensava, "mas há de escoar ainda viva em algum lugar".
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contos
13 de fevereiro de 2012
Domingo
Carol não sabia, quando saiu de casa, que aquele pequeno pedaço de chumbo lhe atravessaria a garganta em diagonal. Pedro não havia sequer sonhado que naquele dia apertaria o gatilho da arma que jamais pretendeu usar, mas que mantinha limpa e carregada, trancada na gaveta do criado mudo. Gustavo queria mesmo é dar uma surra em Pedro por ter se engraçado com Laura, passado a mão, desrespeitado. Laura não queria que Carol soubesse, porque imaginava que ela sofreria demais ao saber da atitude de Pedro logo depois do beijo e dela ter ido pra casa cedo naquela noite.
Mas Carol saiu e foi ver Pedro.
Gustavo meteu o pé na porta e disse que ia lhe dar uma lição.
Pedro apanhou feito cachorro antes de correr pro quarto e pegar a arma.
Laura ficou em casa. Era domingo.
Pedro atirou de lado, que era só pra dar um susto.
Carol tinha visto a porta aberta. Caiu no chão confusa depois do impacto e do estalo.
Gustavo levou o susto, e Pedro dava risada.
- E agora mané? Vai bater em quem?
Mas Carol saiu e foi ver Pedro.
Gustavo meteu o pé na porta e disse que ia lhe dar uma lição.
Pedro apanhou feito cachorro antes de correr pro quarto e pegar a arma.
Laura ficou em casa. Era domingo.
Pedro atirou de lado, que era só pra dar um susto.
Carol tinha visto a porta aberta. Caiu no chão confusa depois do impacto e do estalo.
Gustavo levou o susto, e Pedro dava risada.
- E agora mané? Vai bater em quem?
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9 de fevereiro de 2012
Ir ou não ir, eis a questão
O post mais lido nesse bloguinho deve ter sido aquele
no qual descrevo minha saída oficial da igreja formal, da instituição
que carrega oficialmente esse nome. No final daquele post sugiro a
leitura do afamado livro "Porque você não quer mais ir à Igreja?". Agora, pra fazer justiça, publico aqui um belíssimo argumento desenvolvido pelo sempre desconcertante teólogo Charlie Brown. E por que raio eu quero ir?
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incertezas da fé
26 de janeiro de 2012
Tá na mão
Quando escrevi "Igreja entre aspas", não imaginava que viria um dia a ser um livro desses de papel, com capa bacana e publicado por uma editora de verdade. O máximo que pude imaginar, e isso só quando já estava quase pronto, foi deixar um PDF para download no blog. Digo isso porque me senti impelido a esclarecer que antes de tudo e de todos, escrevi o livro pra mim mesmo. Não imaginei diante de mim um público leitor, nem dirigi meus pensamentos à esse leitor hipotético. O texto todo é fruto de uma peregrinação trôpega na corda bamba de uma fé perdigueira. Um farejamento existencial de um cão sarnento tentando voltar pra casa.
O resultado, no entanto, está agora à disposição pela via tradicional do volume impresso. Vi ontem, pela primeira vez, o livro pronto. Vamos ver se agora consigo escrever sobre outro assunto, que essa história de livro já está ficando saturada aqui na Trilha.
E agora que está pronto, deixe um autor feliz e compre seu exemplar no site da Editora. Se for aqui de Blumenau, pode conseguir um na livraria União Cristã, ali no centro, Rua Curt Hering 161, atrás do Shopping H.
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entre aspas
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