16 de fevereiro de 2012

Em algum lugar

Saí a procura de água. Mas não havia. Houvera, disseram, mas não mais. Secou. Ecoava nas ruas daquela vila a história da água viva. O poço secara, mas água viva havia corrido por aquelas ruas. Entrado nas casas. Bebida a goles longos por todo e qualquer sedento, tornava-se poço interno, artesiano que brotava depois das entranhas e escorria pela boca daqueles que a beberam, fresca, pura, gelada. Saciavam então uns aos outros e a todos que por ali passassem. A secura e aridez da cidade tornara-se um jardim quando do velho poço ainda brotava água. Agora não mais.

O poço secara e a água da vida escondera-se em nostálgicos cantos da memória daquela gente. Era viva, diziam, inesgotável e doce. Mas agora apenas contavam histórias, escreviam poemas, livros e canções em louvor à agua que seus pais beberam. De suas bocas brotava agora apenas o hálito de água parada. Eu era o último peregrino. Conheci a cidade, mas saí de lá sedento. "Secou" eu pensava, "mas há de escoar ainda viva em algum lugar".

3 comentários:

  1. Como disseste no post "Tensão", a danada da esperança nos mantém vivos, mas sedentos.

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  2. Êba. O Rubinho voltou de férias! :)

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  3. Anônimo4:35 PM

    Diogo MZ.
    Olhando esse texto pelo ponto de vista pessoal, lembro dse dois textos. 1. "quem crer em mim como diz as escrituras, rios de aguas vivas fluirao" (jo7.38) e 2. "o meu povo cometeu 2 pecados. Primeiro me deixou, o manancial de aguas vivas, e segundo, construiu cisternas rotas que nao retem agua" (jr2.13). Valeu, saudades pessoal, fiquem na paz.

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