17 de dezembro de 2012

Natal é de Noel

Talvez seja efeito colateral do meu trabalho. Sou publicitário, confesso. No meu mundinho criminoso de incentivar o consumo abestalhado, os primeiros projetos de natal me chegam às mãos lá por julho, agosto. Imagine você, que considera um absurdo o comércio se enfeitar de pinheirinhos e bonecos de neve em novembro, o que é ter que começar a pensar em natal em julho. Uma lástima. Uma tristeza.

O que salva, nessas horas, é a bendita figura do Papai Noel. O velhinho simpático que roubou a cena daquele bebezinho no berço de palha, apesar do desgosto que causa nos cristãos fundamentalistas, é minha redenção. Porque sendo obrigado a ver a figura daquele gorducho bonachão desde julho até dezembro, todo santo ano, já peguei nojo. É um chato de galocha aquele barrigudo, e é exatamente isso que faz dele meu herói. Porque graças à onipresença do Noel e sua roupa rídícula de inverno, a figura do menino deus, os pastores, os bichinhos do presépio e os magos do oriente continuam habitando uma parte imaculada e infantil da minha alma.

Sinceramente, se eu fosse o papa, ou um desses pastores metidos a donos do rebanho todo, tipo o descompensado Silas Malafaia, baixava um decreto mudando a data do nascimento de Jesus pra janeiro. E mudava o nome da festa. Sei lá, quem sabe poderia ser Dia da Manjedoura. Deixava o Natal lá com o Papai Noel e os presentes, e a correria, e o consumo, e os shopping centers, e as promoções, e a jornada dupla no comércio, e a ganância, e a inveja, e os desejos incontroláveis, e todos essas virtudes que impulsionam nosso natalzinho capitalista. O presépio iria lá pra calmaria de janeiro, em baixo de um pé de sombra na praia ou na beira de um rio, ou numa praça da cidade, nesse período do ano onde está todo mundo tão endividado que o comércio dá aquela parada, como se estivesse de ressaca depois de um porre de consumo.

O Natal Dia da Manjedoura merece ser lembrado de forma discreta, calma e silenciosa.

2 comentários:

  1. Anônimo11:52 PM

    Achei a sua ideia meio maluca ... mas num mundo maluco como o nosso, talvez até desse certo!
    Pode ser que as pessoas, então descansadas e mais calmas, se voltassem para a simplicidade da estrebaria e da manjedoura, para a presença daquele menino envolto em panos, e do que ele viria a realizar na terra e realiza nos corações dos que o buscam. Aí seria mesmo um Feliz Natal!

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    1. A simplicidade da manjedoura. A idéia é essa. Agora é só convencer o Papa.

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