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2 de dezembro de 2013

Caminhando no ar

Um clássico de natal que nunca vi.
Belíssima animação, belíssima trilha, belíssima voz do menino de 9 anos (a partir dos 16'26").

24 de outubro de 2013

Som da rua

"La muerte a mi no me coge,
no me coge descuidado"


Conheça o belíssimo projeto "Son Callejero".
A orquestra de salsa de moradores de rua de Bogotá.



Veja o site dos caras.
Ouça o CD.
Acompanhe a foto reportagem.


"Yo soy hijo del asfalto
Protegido de la noche
Yo tengo por dentro el cielo
Y los prados por colchón
Las calles son mias
Soy callejero"


"Camina caminador, no te detengas, el mundo tiene valor y mil belezas[...] Camina caminador, sigue el camino del amor"

10 de outubro de 2013

Vento sul


Quando trabalhava como office boy numa imobiliára na Carlos de Carvalho, entre um e outro banco parava para ouvir o Viento Sur no calçadão da Boca Maldita. Ouvia até chegar à clássica Guantanamera, quando um dos integrantes do grupo começava a passar o chapéu sem parar de cantar. Comprei todos os seus cassetes e escutei até gastar. Ouvir aquele coro de 5 vozes cantando El Condor Pasa na correria da rua XV era como ser transportado para algum ponto distante da América Andina e lá desfrutar do vento gelado que desce do alto da cordilheira.

E agora, quase 20 anos depois, os encontro por acaso nesse mundo virtual e, inevitavelmente, lembro de tudo como ontem. Lembro das jarras de suco que tomei nos dias quentes, no boteco ao lado do Cine Plaza. Das vezes que fugi correndo da piazada de rua, pela Jesuino Marcondes ou pela Comendador Araújo, com os bolsos cheio da grana que fui trocar para o Osni naquele doleiro do edifício Asa. Do Fliperama que tinha em frente ao Bradesco e das fichas que encontrei no chão. Do cobrador do Detran-Vicente Machado, que me viu esquecer um envelope da imobiliária cheio de dinheiro e o guardou para mim, e da bronca que levei quando, no dia seguinte (porque eu pegava aquele ônibus todos os dias), ele me devolveu o envelope. E da alegria que me deu. Dos maços de cigarros que comprava para Sônia na banca da Praça da Espanha. Dos picolés que ela algumas vezes me pagou em gratidão. Do corpo mole do Mola, o outro office boy que enrolava enquanto eu trabalhava. Do Eduardo, meu professor de física na sétima e oitava séries, que encontrei hippie vendendo artesanato na praça Zacarias.

Mas de todas as lembranças dessa rotina do meu primeiro emprego, nenhuma se compara ao som suave e latino do Viento Sur soprando para longe o barulhento frenesi do centro urbano e comercial da capital paranaense, sussurrando para mim, sem que me desse conta, que há um outro caminho. É possível que tenha sido deles o som original que é hoje o eco dentro de mim, sussurrando sempre a mesma coisa.

No teatro da UFPR, quando eu já havia deixado o planalto araucano.



Em 1993, quando eu ainda caminhava todos os dias pelo centro de Curitiba.

17 de agosto de 2012

Por quê?



Ladainha Cassiano Ricardo (1895-1974)
Por Quarteto Colonial

Por que o raciocínio, os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.

O cérebro eletrônico, o músculo mecânico
mais fáceis que um sorriso.

Por que o coração?
Será que o metal não tornará o homem mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?

Por que levantar o braço para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.

Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.

Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.

Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.

Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.

E a música quem vai fazer?
Ó máquina, orai por nós.


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Ouça também: Procissão da Chuva

21 de maio de 2012

As trancas do lado de fora

A canção "Encontro", parceria com Silvestre Kuhlmann, recebeu carinhosos cuidados de Clauber Ramos e apareceu aí, gravada na casa dele. Voz de Clauber, violões dele e de Juan Sierra.

Uma tentativa de descrever como imagino que deveria ser todo encontro de amigos/irmãos, toda reunião dos seguidores de Jesus, toda ecklesia, toda igreja. De porta sempre aberta pra qualquer um, a qualquer momento, em qualquer lugar. Na leveza displicente do vento, feito poesia, feito arte. Um encontro jamais suficiente em si mesmo, mas sempre engajado na transformação do mundo e sempre consciente que qualquer transformação começa por dentro.

Encontro - Tuco e Silvestre Kuhlmann - Clauber by Tuco Egg

Letra completa, cifra e partitura, aqui.




29 de março de 2012

O menino vadio

Já dizia o poetinha: A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
E encontro que é sempre bom, é encontro regado com a sanfona do Abianto.




E surgiu uma letra:

O menino saiu mão no bolso ensaiando assobio
E desceu lá do morro cantando e pulando vadio
No caminho encontrou um atalho, e a pressa o levou por ali
O menino saiu mão no bolso a caminho do rio

Sobe e desce a ladeira e ele na brincadeira sorri
Nem sequer desconfia os perigos que tem por ali
Caminhando feliz ele vai, sem lembrar dos avisos do Pai
Sobe e desce a ladeira pensando somente em seguir

Lá na beira do rio o menino vadio ao chegar
Tava até meio frio, mas nada o fazia parar
Se jogou na corrente das águas e deixou-se por ela levar
Já na beira do rio o guri começou se afogar

Era um roda moinho, um puxão, tava forte demais
Essa chuva danada que deu alguns dias atrás
O menino tentou, mas não deu, eis que um grande milagre ocorreu
A mão forte do pai o puxou e ele é hoje um rapaz



15 de março de 2012

Mais um sarau

Vai rolar mais um sarauzinho aqui em Blumenau. 
Tá todo mundo convidado.

22 de dezembro de 2011

A flor mais bela do jardim

Nasceu da virgem, santa flor
A flor mais bela de um jardim
Que hoje floresce dentro em nós
Humilde amor



Santa flor

Fernando Guimarães | Thanizia Colares | Carlos Assunção
Com trecho de "Jesus, alegria dos homens", de J. S. Bach


Nasceu da virgem, santa flor
A flor mais bela de um jardim
Que hoje floresce dentro em nós
Humilde amor

E os três reis acompanharam
Seguindo a estrela do oriente
E encontraram com a luz
Divina luz

Neste momento tão sagrado
Vieram todos visitar
Presentearam com carinho
E alegria

Louvado seja a mãe do mundo
Bendito é esse menino
Filho do Pai, nosso senhor
E salvador

O galo cantou, a ovelha baliu
O boi berrou
A cabra pulou, a pombinha voou
O burro rinchou

E um sereno de luz
Regou toda terra
Anunciando aos pastores
Que nasceu Jesus


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Do CD "Cantilenas de Jardim" de Fernando Guimarães,
comprado no chão batido do cerrado, na Chapada dos Veadeiros

21 de novembro de 2011

Frô dos cativeiro

Dá pra acreditar que isso já conteceu um dia? Literalmente. E dá pra acreditar que ainda acontece hoje?


CLIQUE E OUÇA A MÚSICA LEILÃO

Leilão
Por Ana Salvagni
De Hekel Tavares / Joracy Camargo
De manhã cedo, num lugar todo enfeitado
Nóis ficava amontoado pra esperá os compradô
Depois passava pela frente do palanque
Afincado ao pé de um tanque que chamavam bebedô.

E nesse dia minha véia foi comprada
Numa leva separada de um sinhô mocinho ainda
Minha veínha era frô dos cativeiro
Foi inté mãe de terreiro da famía dos Cambinda.

No mesmo dia em que levaram minha preta
Me botaram nas grieta que é pro mó de eu não fugir
E desde então, preto véio percurô
Ficou véio como eu tô, mas como é grande esse Brasil.

E quando veio de Isabel as alforria
Percurei mais quinze dia, mas a vista me faltô
Só peço agora que me leve Sá Isabel
Quero vê se está no céu minha véia, meu amô.


Do desconcertante CD Alma Cabocla, de Ana Salvagni.
Em homenagem ao dia da consciência negra.

24 de outubro de 2011

Quando a chuva vem

 CÁNTICO Nº 55 DO HINÁRIO DA TRILHA

Chorar, sorrir também e depois dançar
Dançar na chuva quando a chuva vem



Felicidade
Marcelo Jeneci e Chico César

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar

Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e dançar. Dançar na chuva quando a chuva vem

Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar

Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar


♫ Conheça as outras músicas do Hinário da Trilha.

29 de agosto de 2011

Espelho de nós

CÁNTICO Nº 54 DO HINÁRIO DA TRILHA
É gente nossa
Homem, mulher
Espelho de nós
Mistérios da fé


Espelho de nós

Milton Nascimento


Traz a farinha
Traz é o peixe
Traz é o pão
Que quer dividir

Quem vem de lá, o que nos traz?
Quem vem de lá, que gente é?
Quem vem de lá, vem é de paz?
Quem vem de lá sabe o que quer?

Traz a farinha
Traz é o peixe
Traz é o pão
Que quer dividir

É gente nossa
Homem, mulher
Espelho de nós
Mistérios da fé

Quem vem assim vestido de céu?
Quem vem assim filho de Deus?
Luz na manhã, cor no papel
Flor no jardim, fruta no mel

Traz na viagem
Sonho, esperança
pra alimentar
quem quer resistir

É gente amiga
Homem, mulher
Estrela, farol
na noite do mar

Sei que enquanto amar
a vida me valerá
gostar pra mim é o ar
que busco na atmosfera
É o princípio e é o fim
Eu quero tocar, eu quero saber
qual é a mais bela verdade que há

Quem vem de lá, que mares cruzou?
Quem vem de lá, que povo que é?
Quem vem de lá, o que nos traz?
Quem vem de lá sabe o que quer?

Traz a farinha
Traz é o peixe
Traz é o pão
que quer dividir

É gente nossa
Homem, mulher
espelho de nós
mistério e fé

Traz na viagem
Sonho, esperança
pra alimentar
quem quer resistir

É gente amiga
Homem, farol
estrela, farol
na noite do mar

♫ Conheça as outras músicas do Hinário da Trilha.

1 de agosto de 2011

Estrelas na terra



Amarre os sapatos
Aperte os cintos
Prepare-se para a batalha
Carregue seu fardo
Com pasta em mãos
E decisão firme
Dominaremos o mundo

Assim funciona o mundo
Continue
Seu destino te espera

Eles dormem com um olho aberto
Ficar para trás não é uma opção
Trabalhe o máximo que puder
Do jeito que lhe dizem

Eles vivem de omeletes
Vitaminas e tônicos
Um regime estrito de trabalho e descanso
Esforçando-se, dando duro
Abra caminho

Mas aqui chegamos a outro assunto
O de acordar com as músicas de um sonho
Quando o tempo para e a fantasia se liberta
Eles sempre se perguntam
Porque o lema do mundo é "continue assim"?
Porque essa luta maluca para chegar a um destino?

Eles não são escravos do tempo
São livres
Tem reuniões com as borboletas
E debates com as árvores
Passam seu tempo brincando com o vento
E contando histórias às gotas de chuva
Enquanto pintam um novo mundo na tela do céu

Porque o lema do mundo é "continue assim"?
Porque essa luta maluca para chegar a um destino?

__________
Do belo filme indiano Taare Zameen Par - Every Child is Special
(Estrelas Na Terra - Toda criança é especial)

28 de julho de 2011

Encontro

Teve o Sarau Facamolada. Depois o sarauzinho do Caminho lá em casa, ambos com Silvestre Kuhlmann. Depois um fim de semana em Rio do Sul no sítio do Léo, com fogão a lenha e muita conversa boa. Em seguida o sarau com pinhão no frio do Sítio Vilarejo em Campo Magro, acompanhado de Diego, Sara, Stenio, Selma e Gladir, mais amigos e família. Então saiu um poeminha. E já veio, de presente do Silvestre, uma música pra ele.


Encontro
Letra minha, música do Silvestre Kuhlmann.
O poeminha eu garanto aí em baixo.
A música, por enquanto, só na memória.
Quem sabe uma hora dessa pinta um audio bacana.


A porta está sempre aberta
As trancas do lado de fora
A brisa entra pela janela
O cheiro do mato com ela
E música ao som da viola

Vem quem está a fim
Vem quem tiver vontade
Assim displicentemente
Como vento levando semente
Simplesmente vem pela amizade

É assim que o encontro se dá
Dois ou três é suficiente
Num canto da casa onde mora
Ou à sombra de um pé de amora
Importante é que tenha gente

E gente com algo em comum
Algo que brota do fundo
Um amor que se faz latente
Que vem como desejo ardente
De, quem sabe, mudar o mundo

Mas mundo se muda por dentro
E não labutando a esmo
Passou da hora do treino
Se quer habitar novo Reino
Ama o outro como a ti mesmo

encontro-partitura1 encontro-partitura2

Cifras aqui.

11 de julho de 2011

Emmanuel

CÁNTICO Nº 53 DO HINÁRIO DA TRILHA

Seria primavera feliz...
Se a luz dos homens
Fosse emmanuel



Emmanuel
De Michel Colombier e Murilo Antunes
Por Flávio Venturini e Milton Nascimento

Eu não tenho asas pra voar
Nem sonho nada que não seja de sonhar
Sou um homem simples que nasceu
Das entranhas de um ato de amor

Seria primavera feliz
Se a voz dos homens entoasse a paz
Se o dom dos homens fosse a arte de amar
Se a luz dos homens
Fosse emmanuel


♫ Conheça as outras músicas do Hinário da Trilha.

4 de julho de 2011

Enquanto Houver Sol

CÁNTICO Nº 52 DO HINÁRIO DA TRILHA

Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança



Enquanto Houver Sol
Sérgio Britto (Titãs)

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida...

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós
Algo de uma criança...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho...

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós
Aonde Deus colocou...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá



♫ Conheça as outras músicas do Hinário da Trilha.

20 de junho de 2011

Se o bem ou mal existem

CÁNTICO Nº 51 DO HINÁRIO DA TRILHA

Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver



Se o bem ou mal existem
Roberto Carlos

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver

Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver

É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Saber viver, saber viver!



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30 de maio de 2011

O tempo e o vento

CÁNTICO Nº 50 DO HINÁRIO DA TRILHA

É só questão de investimento
Em vez de armas alimento
Deixar viver, dar o pão


Essa me faz lembrar aquela do João Alexandre: "Enquanto se canta e se dança de olhos fechados / Tem gente morrendo de fome por todos os lados..."




O Vento e o Tempo
Almir Sater e Paulo Simões

Por mais que tente
Não entendo
Todo mundo enlouquecendo
Quem é que está com a razão

E tanta gente ainda lendo
Velho e novo testamento
Sem compreender a lição

Verdade é voz que vem de dentro
E mata a sede dos sedentos
O pior entre os meus sentimentos
De mim foi levado enfim pelo tempo

Mais um milênio vem nascendo
De repente se perdendo
A melhor das ocasiões
É só questão de investimento
Em vez de armas
Alimento
Deixar viver, dar o pão

Nesse universo tão imenso
O meu caminho eu mesmo penso
E se um dia restar meu silêncio
É que as minhas canções
Se perderam no vento

♫ Conheça as outras músicas do Hinário da Trilha.

25 de maio de 2011

Gente enterrada no chão

José Cláudio Riberio da Silva, o Zé Castanha, vivia em Nova Ipixuna, num canto esquecido do Pará. Vivia na floresta e da floresta. Colhia castanhas, fazia cestos, extraía óleos, sustento e alimento da generosidade graciosa e farta da floresta. Mas insistia em denunciar aqueles que, ao redor dele, botavam tudo no chão e faziam impiedosa e gananciosamente da floresta pó.

Terça-feira, 24 de maio de 2011, Zé Castanha e sua esposa foram mortos a tiros por pistoleiros a mando das madeiriras e carvoeiras da região.

Como havia profetizado na sua palestra no TEDx Amazônia, Zé Castanha seguiu os passos resolutos de Chico Mendes e irmã Dorothy e teve o mesmo fim que eles. Até quando?

À nós fica o lembrete, quando formos comprar nossos belos móveis de madeira de lei, que eles podem vir manchados de sangue.

PS: E agora nossos deputados queridos aprovaram o insaciável Novo Código Florestal brasileiro. Três vivas para as madeireiras, agronegócio e a ganância. Impunidade e destruição venceram mais uma.


[Zé Castanha] tá de prova
Naquele lugar tem cova
Gente enterrada no chão



Saga da Amazônia
Vital Farias

Era uma vez na Amazônia, a mais bonita floresta
Mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
No fundo d'água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
E os rios puxando as águas

Papagaios, periquitos, cuidavam das suas cores
Os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
Sorria o Jurupari, Uirapuru, seu porvir
Era fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
Veio caipora de fora para a mata definhar
E trouxe dragão-de-ferro, prá comer muita madeira
E trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira.

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
Prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
Se a floresta meu amigo tivesse pé prá andar
Eu garanto meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá.

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
E o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar??
Depois tem passarinho, tem o ninho, tem o ar
Igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar.

Mas o dragão continua a floresta devorar
E quem habita essa mata prá onde vai se mudar??
Corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
Tartaruga, pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiurá

No lugar que havia mata, hoje há perseguição
Grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
Castanheiro, seringueiro já viraram até peão
Afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé da Nana tá de prova, naquele lugar tem cova
Gente enterrada no chão

Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
Roubou seu lugar

Foi então que um violeiro chegando na região
Ficou tão penalizado e escreveu essa canção
E talvez desesperado com tanta devastação
Pegou a primeira estrada sem rumo, sem direção
Com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
Dentro do seu coração.

Aqui termina essa história para gente de valor
Prá gente que tem memória muito crença muito amor
Prá defender o que ainda resta sem rodeio, sem aresta
Era uma vez uma floresta na linha do Equador

23 de maio de 2011

Caçador de Mim

CÁNTICO Nº 49 DO HINÁRIO DA TRILHA

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo



Caçador de Mim

Sérgio Magrão e Luis Carlos Sá

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

♫ Conheça as outras músicas do Hinário da Trilha.