19 de dezembro de 2006

A mitologia do preconceito lingüístico

Atenção! O texto abaixo não refere-se à igreja, mas à lingüística. Ou não?


Mito nº 7 - É preciso saber gramática para falar e escrever bem

... o que aconteceu, ao longo do tempo, foi uma inversão da realidade histórica. As gramáticas foram escritas precisamente para descrever e fixar como "regras" e "padrões" as manifestações lingüísticas usadas espontaneamente pelos escritores considerados dignos de admiração, modelos a ser imitados. Ou seja, a gramática normativa é decorrência da lingua, e subordinada a ela, dependente dela. Como a gramática, porém, passou a ser um instrumento de poder e de controle, surgiu essa concepção de que os falantes e escritores da língua é que precisam da gramática, como se ela fosse uma espécie de fonte mística invisível da qual emana a língua "bonita", "correta" e "pura". A língua passou a ser subordinada e dependente da gramática. O que não está na gramática normativa "não é português". E os compêndios gramaticais se transformaram em livros sagrados, cujos dogmas e cânones têm de ser obedecidos à risca para não se cometer nenhuma "heresia".

Preconceito Lingüístico – o que é, como se faz
Marcos Bagno

2 comentários:

  1. Por que nas escolas (semanais ou dominicais) não nos ensinam as coisas direito?

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  2. Pois é. Não sabemos nada de gramática, nem de igreja.

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