9 de outubro de 2008

A vaquinha e a mansão

Recebi um email dia desses. Uma historinha famosa dessas que circulam em textos, palestras e power-points por aí. Imediatamente pensei no outro lado da história. Não pude evitar. Escrevi e guardei por um bom tempo. Resolvi postar. Quem sabe seja útil pra alguém. Primeiro vem a original. Logo abaixo, uma outra possibilidade:

História da vaquinha – a original

Um Mestre da sabedoria passeava por uma floresta, com seu Jovem discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre, e resolveu fazer uma breve visita. Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos. Chegando ao sítio constatou a pobreza do lugar, sem acabamento, casa de madeira e os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas sujas e rasgadas. Aproximou-se do senhor, que parecia ser o pai daquela família, e perguntou:

- Neste lugar não há sinais de pontos de comércio, nem de trabalho. Como vocês sobrevivem"?

Calmamente veio a resposta:
- Meu senhor, temos uma vaquinha que nos da vários litros de leite todos os dias. Uma parte nós vendemos ou trocamos na cidade mais próxima por outros gêneros de alimentos. Com a outra parte fazemos queijo, coalhada, etc., para o nosso consumo... e assim vamos sobrevivendo.

O Mestre agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, despediu-se e foi embora. No meio do caminho, em tom grave, ordenou ao seu fiel discípulo:

- Pegue a vaquinha, leve-a até o precipício e empurre-a lá para baixo.

Em pânico, o jovem ponderou ao Mestre que a vaquinha era o único meio de sobrevivência daquela família, Percebendo o silêncio do Mestre, sentiu-se obrigado a cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo, vendo-a morrer. Essa cena ficou marcada na memória do jovem durante alguns anos. Certo dia, ele decidiu largar tudo o que aprendera e voltar ao mesmo lugar para contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-los.

Quando se aproximava, avistou um sítio muito bonito todo murado, com árvores floridas, carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou desesperado imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver. Apertou o passo e ao chegar lá foi recebido por um caseiro simpático, a quem perguntou sobre a família que ali morou há alguns anos.

- Continuam morando aqui - respondeu rapidamente o caseiro.

Surpreso, ele entrou correndo na casa e viu que era efetivamente a mesma família que visitara antes com o Mestre. Depois de elogiar o local, dirigiu-se ao senhor que era o dono da vaquinha que havia morrido:

- Como o senhor conseguiu melhorar este sítio e ficar tão bem de vida?

A resposta veio com entusiasmo:
- Tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante tivemos que aprender a fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos. Assim, conseguimos conquistar o sucesso que seus olhos vêem agora!


História da mansão – uma outra possibilidade

Um Mestre da Sabedoria passeava por uma floresta com seu jovem discípulo, quando avistou ao longe uma fazenda enorme com uma mansão no ponto mais alto da propriedade, e resolveu fazer uma visita.

Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando à mansão, constatou a riqueza do lugar, os carros luxuosos, o heliporto, a piscina, os empregados e o jardim impecável. Avistando um senhor que varria a grama, aproximou-se dele e perguntou:

- É o senhor o dono desse lugar?

- Não senhor. Sou só o jardineiro.

- E como faço para falar com o proprietário?

- É difícil. Ele não fala com qualquer um. E raramente está em casa. Passa a maior parte do tempo viajando, trabalhando, de um lado pra outro. Quando chega aqui, está sempre muito cansado e não tem ânimo para falar com ninguém. Normalmente nos pede para afastar todo visitante, dizer que não está, não pode atender.

- Ele não tem família? Filhos? – perguntou o sábio mestre.

- As crianças passam a manhã na escola e a tarde fazem uma série de atividades acompanhados da babá. Chegam em casa só de noite. E a esposa não gosta muito de vir ao jardim. Sente-se muito solitária e passa a maior parte do tempo sozinha ou conversando com alguém no computador.

O Mestre agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, despediu-se e foi embora. No caminho, encontrou, um pouco mais à frente, casas simples, com gente simples na varanda e crianças descalças correndo livremente pelo jardim. Os maiores ajudavam um adulto a consertar o telhado, enquanto contavam piadas e riam-se uns dos outros. Podia-se sentir o cheiro doce de um pequeno bolo de fubá que descansava no parapeito mal acabado da varanda. Parou para observar a casa e foi imediatamente convidado à sentar a sombra. As crianças se reuniram em torno do mestre, cochichando, apontando e dando risadas. Uma senhora roliça e sorridente saiu da casa e, ao ver o homem, percebendo que caminhara muito e estava cansado, ofereceu-lhe água.

Pouco tempo depois, com o telhado já consertado, todos reuniram-se em torno do sábio desconhecido, ouvindo suas histórias e repartindo as migalhas do bolo de fubá. Ao longe, o mestre observou um homem caminhando sozinho na estrada. Dois cachorros surgiram do mato e, latindo e abanando freneticamente o rabo, correram na direção dele. As crianças acompanharam os cães e fizeram uma grande festa em torno daquele senhor. Ao se aproximarem, o mestre o reconheceu. Era o jardineiro da mansão.

Depois de muita prosa, o mestre e o discípulo seguiram seu caminho. O mestre, com um sorriso maroto no canto da boca, perguntou ao discípulo:

- Você entendeu, entre as duas famílias que conhecemos hoje, qual delas alcançou o sucesso?

- Entendi, – respondeu o discípulo – entendi.

E seguiram seu caminho.


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Veja também:
Felicidade e sucesso
Nossa única esperança de redenção

6 comentários:

  1. Mano amado, muita Graça e Paz.

    Gostei muito do blog. Tem muuuuiiito material. Li por algumas horas e não consegui exaurí-lo, mas me fez muito bem passar por aqui. Louvo a Deus por encontrar gente como você no Caminho. Obrigado por nos expor a seus pensamentos, obrigado por dedicar seu tempo a escrever o duro e penoso trabalho da renovação da consciência, e nos alegrar com a alegria de vê-lo crescer em Cristo.

    Um abração mano.

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  2. Obrigado gente. Abraços.

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  3. Muito bom Tuco, interessante essa visão. Poderia tb fazer exata,ente o oposto... Pegar o rico acabar com a vida dele e fonte de sustento para ele descobrir a vida...rsrsrs vc foi mais poético do que eu talvez seria...rs

    Muito bom, abração.

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  4. "Na encruzilhada da vida, tomei o caminho menos percorrido, e isto fez toda a diferença".
    Bem aventurados os que cuidam de vaquinhas!!!

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  5. Ah, se eu pego o desinfeliz empurrando a vaquinha no precipício...

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